sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A boa mão de Deus sobre mim

“Porque a boa mão do meu Deus era comigo” (Ne 2.8c ARA)

Introdução

O tema que vamos abordar neste estudo nos revela a grandiosidade e sabedoria divina. Vemos que Deus, quando quer agir, Ele muda situações, transforma corações, envergonha o inimigo e faz a obra prosperar em meio às adversidades. E que também transforma homens comuns em grandes heróis, quando estes se curvam diante dEle em oração reconhecendo-se apenas um instrumento nas Suas mãos. Neemias nos ensina que a obediência e uma vida de oração é o segredo para uma vida abundante e vitoriosa na obra do Senhor.

Contextualização Histórica

Neemias, era um judeu exilado que servia na corte de Artaxerxes I – Rei da Pérsia-, como copeiro, quando soube que os exilados que já se encontravam em Judá estavam sob opróbrio (1. 1-3) e que os muros de Jerusalém continuavam em ruínas. Depois de orar fervorosamente por esta causa, Deus tocou no coração do Rei Artaxerxes que concedeu uma autorização a Neemias para viajar a Jerusalém como governador (2.6b) e reedificar os muros da cidade e fortifica-la (2.7,8). Neemias partiu da Pérsia para Jerusalém em 444 a.C, período em que já havia se passado treze anos em que Esdras estava em Jerusalém.  Após a reconstrução do muro, Neemias coopera com Esdras na restauração espiritual do seu povo (Cap 8).
  
Neemias se compadece pelo sofrimento de seu povo -  1.4a

“Tendo eu ouvido estas palavras, assentei e chorei e lamentei por alguns dias...” (1,4)

Neemias ouvindo sobre  as condições de desolação que se encontrava Jerusalém e a miséria e desprezo que se abatia sobre seu povo, teve compaixão e se prostrou diante de Deus, clamando em lágrimas para que houvesse restauração em Israel. Ele desabou, emocionalmente, mas depois, reagiu e pôs-se a orar e buscar no Senhor uma solução concreta para aquela situação. Não raras vezes passamos por momentos difíceis em nossas vidas e nem sempre é fácil lidarmos com elas. Mas ficar prostrado e chorando não resolve nenhum problema, por isso, devemos levantar a cabeça, como Neemias o fez e colocarmos em ação a nossa fé. Orar é a primeira coisa que devemos fazer, na certeza de que Deus  entrará com providência em nosso favor.
  
Neemias intercede em favor de seu povo junto a Deus – 1.4b

“...e estive orando e jejuando perante o Deus dos céus” (1.4b)

Durante quatro meses, Neemias derramou seu coração diante do Senhor (1.1; 2.1) orando e jejuando por causa dos problemas que afligia seu povo. A Bíblia nos ensina que “ muito pode, por sua  eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16b).  E não foi diferente com Neemias que alcançou o favor divino e obteve vitória.

A Oração que Neemias fez

Não devemos padronizar a oração, porque não é a quantidade de palavras ou a forma poética e eloquente com que a proferimos que vai romper os céus e sim, a intenção do coração e o relacionamento com Deus da parte de quem ora. Mas podemos aprender muito com a oração de Neemias porque ela possui alguns aspectos relevantes.  Vamos refletir sobre essas características.

·     Exaltação e gratidão a Deus“Ah, Senhor! Deus dos céus, Tu és grande e temível, que guardas a Aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos” (1.5).

A oração do Pai Nosso (MT 6.9-14) nos ensina que antes de qualquer coisa, devemos nos apresentar diante de Deus com reverência, demostrando com palavras e atitudes, que sabemos diante de quem nós nos encontramos. Isso na prática significa que, devemos enaltecer as suas qualidades, reconhecer o seu poder e a sua soberania. O nosso primeiro pensamento e atitude devem ser de adoração. Depois, devemos nos apresentar diante dEle como quem depende da sua misericórdia e graça, ou seja, com humildade.

Deus conhece as nossas necessidades, mas Ele é um Deus de relacionamento e, portanto, quer nos ouvir falar. Ele quer que nós apresentemos a Ele nossas petições. Portanto, pedir, não é errado. Mas os nossos pedidos não devem ser uma exigência e sim um apelo movido pela dependência que temos dEle. Se Ele nos atender amém, mas se não o fizer, vai continuar sendo Deus do mesmo jeito e a nossa relação com Ele não deve mudar. O que Ele nos concede como benefício, não é por que somos merecedores, mas porque há propósitos maiores envolvidos na questão. Se o que queremos está de conformidade com Sua soberana vontade, certamente Ele nos atenderá, da mesma forma com que fez a Neemias.

·       Súplica  - “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos abertos, para acudires à oração do teu servo...” (1.6a).

A oração é a forma com que nos relacionamos com Deus, é uma conversa íntima entre dois amigos. A súplica, no entanto, é uma insistência acerca de uma causa que nos angustia. Nesse caso, é a alma que clama e chora por socorro.  E Deus é o nosso “socorro bem presente na angústia”(Sl 56.1b). O salmista Davi nos diz que Deus não resiste a um coração quebrantado e contrito (Sl 51.17).

·      Intercessão “...que faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos” (1.6b).

A intercessão é a oração pela causa de outra pessoa, é alguém colocar-se na brecha em favor de sua causa. É mediar em seu favor um benefício. Neemias estava se colocando em oração em favor de seu povo pois se compadecia de seu sofrimento. Ele orava de dia e de noite, ou seja, incessantemente. Deus espera de nós essa atitude, a de intercessores. A Bíblia nos ensina que o nosso intercessor é o Espírito Santo e que, “...semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza, porque não sabemos orar como convém. Mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Em outras palavras, Ele interpreta as nossas angústias o nosso choro e se move em nosso favor de forma sobrenatural. Mas o ímpio não tem esse intercessor tão maravilhoso porque seu coração está fechado ainda para Ele. Porém, nós podemos mediar suas causas junto a Deus por meio da intercessão.

A oração quebra barreiras, muda situações e transforma histórias. Enquanto oramos, Deus envia seu exército de anjos para pelejarem pela causa que lhe apresentamos. Nenhuma oração fica sem resposta, mas temos que respeitar o tempo de Deus até que a sua obra esteja completa. Deus trabalha no silêncio. Portanto, a ausência de resposta não significa que Ele não ouviu as orações, apenas que, a obra não está ainda completa.

·    Confissão dos pecados “faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti, pois eu e a casa de eu pai temos pecado; temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés teu servo” (1.6,7).

A Bíblia nos ensina que devemos nos arrepender e confessarmos nossos pecados a Deus fim de obtermos o seu perdão: “se confessarmos os nossos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Confessar as transgressões significa reconhecer que somos culpados diante de Deus e merecedores do castigo divino e necessitados da sua graça restauradora.

Neemias bem sabia que tudo o que o seu povo estava passando era consequência de uma vida espiritual negligente, da falta de comprometimento com os mandamentos de Deus. Ele confessa que todos pecaram, inclusive ele e sua própria família. Todos foram omissos no tocante a responsabilidade que tinham diante do Senhor e estavam pagando um alto preço por isso. Mesmo assim, ele apela para a misericórdia divina. Não é desejo de Deus que nenhuma alma se perca, mas que todos venham a se arrepender e tenham vida (Ez 8.23; 2Pe 3.9b);

Argumentos de Neemias para obter os benefícios de Deus

“Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; mas, se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome; Estes ainda são teus servos e o teu povo que resgatastes com teu grande poder e com tua mão poderosa; A, Senhor! Estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome” (1.8-11).

Neemias argumenta com Deus com  base nas suas promessas e no seu amor pelo seu povo. Ele inicia trazendo à memória as palavras de bênçãos e maldições feitas ao povo de Israel para que tivessem conhecimento acerca da responsabilidade que lhes competia no tocante às suas atitudes diante do Senhor. Se fossem rebeldes, seriam espalhados pela terra e viveriam misturados com outros povos, mas ao contrário, se fossem obedientes, ainda que estivessem espalhados pelos quatro cantos da terra, seriam trazidos de volta e se reuniriam, novamente enquanto um povo santo, separado para o serviço de Deus, para a glória de seu nome. Neemias conclui suas orações, fazendo menção ao fato de que o povo por quem ele estava intercedendo era o mesmo povo pelo qual, com mãos fortes o Senhor os havia trazido da terra do Egito e os conduzido até o lugar da promessa. O Tempo havia passado e muitos haviam se esquecido dos feitos do seu Deus e passaram a viver em franca rebeldia contra o Senhor.  As consequências de seus ato estavam agora pesando sobre eles. Mas Neemias, pede que lhes seja concedida uma nova oportunidade. Pede também que o Senhor esteja atento não só às suas orações, mas também dos remanescentes fiéis que ainda existiam, e intercediam em favor dos demais.

A boa mão do Senhor estava sobre Neemias – 2.8c

“...concede que seja bem sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê perante  este homem” (1.11b).

Neemias agora precisa tomar decisões práticas. Pede a Deus que lhe conceda as bênçãos para ser bem sucedido ao falar com o rei. Nesta ocasião, ele era copeiro no palácio. Neemias não era, certamente, um crente carrancudo, pois ao servir o rei este percebeu pelo seu semblante fechado que algo não estava bem e o indagou a respeito do que estava acontecendo (2.2). Com toda reverência, Neemias coloca o rei a par da situação e pede que lhe conceda uma licença para ir até Judá a fim de reconstruir os muros de Jerusalém, pois a cidade estava desguarnecida, à mercê de ataques dos inimigos.

Tendo obtido o consentimento do rei, ousou ainda, pedir também cartas dirigidas aos governadores para que tivesse trânsito livre pelos lugares por onde deveria passar até chegar a Judá. Além disso, ousou pedir também carta de recomendação para ser apresentada a Asafe, guarda da mata do rei, para que lhe desse madeira para as vigas que precisaria para colocar nas portas e nos muros da cidade. Conforme tudo o que pediu assim foi feito porque as mãos do Senhor estavam sobre Neemias (2.8c).

Embora ele tivesse sido comissionado por Deus para a realização daquela obra, ele estava subordinado ao rei, ou seja, a uma liderança humana, e precisaria, não só ser enviado com todo respaldo para que tivesse acesso a todos os benefícios inerentes a sua posição, como também de autoridade e recursos materiais para iniciar a obra. O trabalho que a ele foi confiado por Deus, não lograria efeito se ele agisse de maneira impulsiva e sem nenhuma prudência.  A escolta de proteção concedida pelo rei a ele foi uma medida de segurança necessária para livrá-lo dos perigos e ataques inimigos, além de atribuir-lhe autoridade.

Tudo o que Neemias precisava foi-lhe concedido, porque a boa mão do Senhor estava sobre ele. Ou seja, ele estava no centro da vontade de Deus pleiteando por uma causa que estava no coração de Deus. Isso nos ensina que quando estamos debaixo da obediência de Deus e agimos para a edificação de sua obra, mesmo que haja dificuldades, se buscarmos no Senhor, Ele nos concederá todos os recursos necessários para que a obra seja levada à efeito. 

As oposições na realização da obra de Deus

“...o que ouvindo Sambalate, o horonita e Tobias, o servo amonita, lhes desagradou com grande desagrado que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel”(2.10).

O inimigo nunca se agrada com quem se levanta para fazer a obra de Deus e muito menos em ver os seus filhos prosperarem. Estar, portanto na direção de Deus, não significa estar livre de problemas, muito pelo contrário, eles podem até ser maiores do que normalmente seriam, porque objetivam nos fazer desistir. Por isso, não podemos perder o foco. Aquele que é fiel, não retrocede jamais e está sempre de prontidão, vigiando, orando e trabalhando.

Tão logo chegou a notícia sobre a Neemias, os inimigos do povo de Deus se inquietaram e não ficaram satisfeitos (2.10). Tão logo Neemias chegou, já se deparou com a oposição, Sambalate, Tobias e Gesém  (2.19). Sambalate era natural de Horonaim em Moabe. Era descendentes de  Moabe, filho de Ló, fruto incestuoso dele com a filha mais velha (Gn 19.30-38). Tobias, era amonita, descendente de Ben-ami, também filho de Ló gerado a partir de um incesto entre ele e sua filha mais nova. Ló era sobrinho de Abraão, pai do povo de Israel, portanto, havia laços de parentesco entre os moabitas, amonitas e o povo judeu. Gesém era originário de povos que habitavam no deserto arábico, descendentes de várias tribos, sem uma genealogia definida.  

As estratégias desses três homens eram, zombaria, desprezo e calúnia, a fim de paralisarem a obra. Esses recursos ainda continuam sendo utilizados pelo inimigo contra o povo de Deus. Todas as vezes que Deus levanta alguém para realizar uma obra, o inimigo de prontidão já se levanta e mobiliza pessoas de dentro da própria Igreja, ou seja, irmãos em Cristo, para perseguir, se opor e criar obstáculos a fim que o trabalho seja realizado.

Talvez você esteja se perguntando, mas como um crente pode agir de tal forma? Bom, a resposta é simples. Nem todos os que estão dentro da Igreja são de fato cristãos. Mas há também aqueles que embora o sejam, não vigiam e acabam prestando serviço para o adversário. Servem como pedra de tropeço na obra. Disseminam dissenções, contendas, semeiam calúnias e articulam perseguições gratuitas contra os escolhidos do Senhor.

A fúria do inimigo ao ver a obra prosperar

“Tendo Sambalate ouvido que edificávamos o muro, ardeu em ira  se indignou muito e escarneceu dos judeus” (4.1).

Neemias foi muito prudente em manter silêncio sobre o trabalho que Deus havia colocado em seu coração para realizar (2.12, 16), já prevendo que essas informações poderiam chegar aos seus oponentes. Durante três dias esteve em Jerusalém ( 2.11) e, para não levantar suspeitas, durante a noite  (2.13) saía para ver de perto a situação que se encontrava o muro (2.13-15). O estrago era grande. Havia muita coisa a ser feita.  Só depois de ter levantado todas as informações sobre a situação, procurou os magistrados e conversou sobre o assunto com eles, conclamando-os a ajuda-lo na reconstrução (2.16). Depois de contar-lhes sobre como Deus o havia ajudado até ali, o povo se animou e se dispôs a ajudá-lo de boa vontade (2.17,18)).

Quando já o trabalho estava em andamento  ( Cap. 3) e já se podia ver as mudanças, Sambalate ficou furioso  (4.1), e na presença de seus compatriotas e poderosos de Samaria começou a depreciar a obra, ridicularizando os judeus na frente de seus compatriotas e poderosos de Samaria, dizendo que não teriam como restaurar aquela ruína pois eram fracos. Tobias ainda acrescentou que mesmo que conseguissem realizar o trabalho, até uma simples raposa colocaria tudo abaixo (4.2,3). Neemias percebendo isso apenas orava e seu povo trabalhava sem cessar (4.4-6).

As estratégias do inimigo para barrar a obra

·   Ameaça de  destruição

Passado um certo tempo, Sambalate e seus companheiros ficaram sabendo que os reparos estavam sendo feitos e as brechas estavam sendo tapadas, novamente, ficaram furiosos (4.7). Desta feita, planejaram atacar Jerusalém e causar estrago e confusão (4.8,11). O motivo da fúria era a inveja por ver que a obra estava se realizando com sucesso devido a competência dos trabalhadores. O inimigo das nossas almas também fica desse jeito quando vê um crente determinado prosperando na obra. Ele se levanta e articula seus ardis para destruir o que está sendo feito e usa para isso os seus comparsas, aqueles que lhe prestam serviço. E de que forma ele faz isso? Da mesma forma que Sambalate, usando o desprezo para desestimular, o escárnio, para desqualificar o serviço e a truculência para intimidar.

Diante da ameaça, Neemias e o povo, puseram-se a orar e colocaram guardas de dia e de noite para se protegerem e posicionou em pontos estratégicos representantes de cada famílias, armados com espadas, lanças e arcos (4.9,13,14). Embora confiante em Deus, Neemias não foi imprudente. Buscou se cercar de todos os cuidados para evitar surpresas desagradáveis. Daquele dia em diante, enquanto a metade dos homens fazia o trabalho, a outra metade permanecia armada (4.16). Vivemos em um mundo onde o maligno atua em várias esferas.  Não podemos deixar de nos cercar de todos os cuidados possíveis e também  ora e vigiar sempre, tapando todas as brechas. 

·    Tentativa de intimidação

Sambalate e seus amigos ficaram sabendo que muro havia sido edificado e todas as brechas foram tapadas (6.1). Mandaram uma mensagem a Neemias para encontrarem-se com eles a pretexto de uma conversa pacífica (6.2). Mas Neemias bem sabia que se tratava de uma armadilha. Em resposta apenas disse: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer. Por que cessaria a obra enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?”(6.3). Por quatro vezes insistiram usando os mesmos argumentos e a resposta de Neemias permaneceu a mesma (6.4).

·    Falsa acusação

Depois de esgotadas as tentativas de atrair Neemias para uma emboscada, Sambalate enviou, pela quinta vez o seu mensageiro que desta vez trazia uma mensagem contendo falsas acusações como forma de intimidar Neemias.  Diziam que corria um boato de que Neemias e o povo intentavam uma revolta e por isso reconstruíram o muro e, que Neemias pretendia tornar-se rei de seu povo e que para isso trouxe consigo até profetas para proclamarem que havia rei em Judá e, para concluir, Sambalate mandava dizer, a pretexto de preocupação, que precisava conversar com Neemias antes que essa notícia chegasse até o rei (6.7).

Uma estratégia militar muito conhecida é que, se você não pode contra seu inimigo, alie-se a ele. Porque fingindo-se de amigo, descobre-se mais facilmente os seus pontos fracos e torna-se mais fácil a sua destruição. Essa foi a estratégia de Sambalate que só não deu certo porque Neemias não era um crente imaturo e não perdeu o foco com conversa infrutífera. Já foi logo desmascarando aquela farsa (6. 8).  Depois, pôs-se a orar e pedir forças ao Senhor (6.9b) pois muitas eram as suas provações. Continuou trabalhando e não se deteve pela insistência de Sambalate pois bem sabia com quem estava lidando. A mentira é uma arma destrutiva e suas consequências são avassaladoras, por isso o inimigo se utiliza tanto dessa estratégia para destruir vidas e ministérios ainda em nossos tempos. Neemias nos ensina que não devemos dialogar com a mentira, pois ela não merece crédito e é de procedência maligna.

·    Induzir ao engano

O inimigo é persistente e não desiste. Quando não dá certo de um jeito, tenta de outro. Certa feita, Neemias foi a casa do profeta Semaías que estava trancado porta adentro e disse em tom de preocupação: “vamos juntamente à Casa de Deus, ao meio do templo e fechemos as portas do templo porque virão matar-te. Aliás, de noite virão matar-te” (6.10). Pela fala, Neemias logo percebeu que Semaías não fora enviado por Deus (6.12) pois o incitara a praticar atos que contrariavam a Lei, porque não era permitido a ele adentrar em lugar Santíssimo no templo (Nm 18.7). Além disso, o levava a agir como se fora um covarde, ou criminoso que procura se esconder.

Pelo conhecimento que tinha da Palavra, Neemias percebeu a armadilha e reconheceu que Semaías fora corrompido pelos seus inimigos. Desta vez, a estratégia era levá-lo a pecar contra a Palavra de Deus e manchar a sua integridade.  Quantos falsos mestres estão por aí, atraindo multidões com mentiras e conduzindo-as ao erro e à morte espiritual?  Por isso o crente precisa conhecer a Bíblia e munir-se de todas as armaduras de Deus para o enfrentamento de dias maus (Ef 6.11). Acerca disso, Deus declarou: “O meu povo i está sendo destruído por que lhe falta  conhecimento” (Os 4.6) em Jesus complementou dizendo: “Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29).
  
Missão Cumprida

Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco dias do mês de elul, em cinquenta e dois dias” ( 6.15)

Apesar das muitas  oposições, Neemias completou a obra de restauração do muro de Jerusalém no prazo de cinquenta e dois dias. Diante desse fato, Sambalate e seus amigos muito se entristeceram pois perceberam que haviam sido derrotados em seus intentos e também porque reconheceram que houve a intervenção de Deus na obra realizada (6.16). Não tinham mais o que falar pois era evidente o fato de que as mãos de Deus estavam sobre Neemias.

Conclusão

Este texto nos revela que o segredo da vitória é uma vida de oração e entrega ao Senhor. Neemias orava em todas as ocasiões e Deus o conduzia a agir com sabedoria e coragem, dando-lhe estratégias e livramentos e condições para a realização da obra. Ele recebeu a incumbência de restaurar os muros de Jerusalém e o fez movido pela certeza de que as mãos do Senhor estavam sobre ele. Mas mesmo ciente de que a obra era do Senhor, enfrentou oposições e muitas dificuldades. As estratégias do inimigo têm por objetivo paralisar não só a obra, mas também, destruir a nossa fé pelo cansaço, pela intimidação e pelo engano. Mas se perseverarmos e continuarmos firmes no trabalho que nos foi proposto realizar, certamente seremos bem sucedidos, assim como o foi Neemias. 

Sonia Oliveira



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